Mais do que uma reabertura, o momento marca um reencontro da cidade com parte essencial de sua memória, agora impulsionada por um novo propósito. Fundado em 1885, o clube nasceu sob a liderança de Bernardino de Campos, figura central da política brasileira e protagonista das lutas abolicionistas e republicanas. Desde o início, o espaço foi mais do que um ponto de encontro social: foi um lugar onde ideias circulavam, decisões ganhavam forma e o futuro de Amparo era, em muitos sentidos, debatido e construído. Seus salões testemunharam o auge da sociedade cafeeira, os encontros da elite e os rituais sociais que moldaram a identidade da cidade.
“Assumir a presidência do Clube 8 de Setembro é, antes de tudo, um gesto de responsabilidade com a história de Amparo. Este não é apenas um espaço físico — é um símbolo vivo daquilo que a cidade construiu ao longo de gerações. E é com esse espírito que assumimos essa nova fase: respeitando o passado, mas olhando com coragem para o futuro”, disse Reginaldo Leme, produtor cultural e atual presidente do Clube 8 de Setembro.
Com o passar das décadas, o clube atravessou transformações, resistiu ao tempo e enfrentou períodos de incerteza. Nos últimos anos, as dificuldades se intensificaram, culminando no fechamento temporário durante a pandemia — um silêncio que ecoou não apenas em suas paredes, mas também na memória afetiva de gerações de amparenses. Agora, esse silêncio dá lugar a um novo começo. Com a eleição de uma nova diretoria e a reformulação de seu estatuto social, o Clube 8 de Setembro se reinventa e assume uma nova vocação: a de espaço cultural aberto, vivo e integrado à comunidade. A mudança representa mais do que uma adequação institucional — é um gesto simbólico de reconexão com a cidade e com o seu tempo.
O Clube 8 como é mais conhecido, que por tanto tempo foi associado à exclusividade, abre-se agora à diversidade. Suas portas passam a acolher exposições, apresentações artísticas, encontros, oficinas e iniciativas que valorizam a cultura, a memória e a participação coletiva. O edifício histórico, localizado no coração de Amparo, deixa de ser apenas um testemunho do passado para se tornar também um palco do presente e um espaço de construção de futuro. Essa transformação dialoga diretamente com o legado do Dr. Bernardino José de Campos Júnior, cuja trajetória foi marcada pela defesa de mudanças profundas na sociedade brasileira. Se, no século XIX, ele ajudou a romper estruturas e ampliar horizontes, hoje seu nome volta a inspirar uma nova abertura — desta vez, cultural e social.
“Agradeço
profundamente a toda a diretoria, em especial ao Dr. Helio Schiavolim Filho, que teve papel
fundamental na preservação do clube em momentos desafiadores, garantindo que
essa história não se perdesse. Como produtor cultural, acredito profundamente
no poder da arte e da memória como instrumentos de transformação. Assim como
foi feito no Cine Foto Clube de Amparo, nosso compromisso agora, é fazer com
que o Clube 8 de Setembro volte a pulsar como um território de encontro, de
cultura e de
pertencimento”, disse
Reginaldo Leme, que
também é presidente do Centro
Cultural do Cine Foto Clube de Amparo.
A reabertura do Clube 8 de Setembro não é apenas a retomada
de atividades. É a retomada de um vínculo. É a cidade olhando para sua própria
história e decidindo que ela não deve permanecer fechada, mas compartilhada. Em
tempos em que tantas referências se perdem, ver um espaço como este renascer é
um sinal de que a memória ainda pulsa — e de que Amparo segue encontrando, em
suas raízes, caminhos para seguir adiante.
instagram: clube8setembro
e-mail: clube8setembro@gmail.com
Publicado às 16h27
Receba as notícias pelo canal do WhatsApp clicando aqui e ative o sininho para receber as notificações
Fale com nossa equipe pelo WhatsApp, clicando aqui, e nos dê um oi.
Também estamos no Telegram. Entre em nosso canal clicando aqui.