Cotidiano

Padre se manifesta sobre caso de abuso

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O padre Sidney Wilson Basaglia publicou nota sobre o caso de condenação por abuso pela Justiça de Serra Negra.

Na conta da Catedral de Nossa Senhora do Amparo, o internauta pode conferir a publicação.

Confira abaixo a integra

Neste momento marcado por informações divergentes, reafirmo minha confiança em Deus, na verdade e em nossa comunidade. Durante o trâmite canônico e judicial, mantive o silêncio; hoje, porém, falo com serenidade, sustentado pelo apoio recebido e, sobretudo, pela força da nossa fé.

É essencial acolher, ouvir e respeitar, com responsabilidade, eventuais vítimas, reconhecendo sempre a importância das denúncias. Ao mesmo tempo, não se pode ignorar, no contexto atual, podem surgir acusações sem fundamento ou até instrumentalizadas por interesses alheios à justiça – sem ideológicos, políticos, vingativos ou mesmo perversos.

É de conhecimento público, conforme consta na Nota Oficial da Diocese de Amparo, que a investigação canônica analisou as provas e as contradições entre as versões apresentadas. À luz dessa análise, da Santa Fé, pela autoridade do Papa Leão XIV, reconheceu que a acusação é totalmente infundada e, consequentemente, a inexistência de delito. As imputações no processo judicial também contêm contraprovas que evidenciam a falsidade da acusação.

A despeito diante da decisão de primeira instância – que não é definitiva – permaneço confiando em Deus e no Poder Judiciário, certo de que a verdade prevalecerá. Reitero minha inocência, amparada pelas provas e confio na força de nossa comunidade, que não se deixa levar por pressões, mas permanece firme na fé, na caridade e na justiça.

Peço a todos que perseverem na oração pela verdade e por nossa família paroquial. Que as tribulações sirvam para fortalecer a nossa fé e jamais nos afastem do caminho de Jesus Cristo. Conto com cada um de vocês – na oração, no cuidado fraterno e na alegria de caminharmos juntos na Verdade, que é o próprio Cristo.

Que Deus nos abençoe.

Sidney W. Basaglia.

Entenda o caso

Denunciado pelo promotor de Justiça Gustavo Pozzebon, um padre foi condenado por violação sexual mediante fraude contra um adolescente que, à época dos fatos, tinha 14 anos. Ao reconhecer o agravante da autoridade do réu sobre a vítima, a Justiça de Serra Negra impôs pena de 6 anos de prisão, a ser cumprida inicialmente no regime semiaberto.

Os abusos, conforme a denúncia, ocorreram de forma continuada entre 2014 e 2016, nas cidades de Serra Negra e Guarulhos. O réu se aproximou da vítima após convidá-la para atuar como coroinha e, ao perceber o interesse do adolescente em seguir a vida religiosa, passou a estabelecer uma relação de confiança e proximidade, oferecendo presentes, realizando convites frequentes para jantares e inserindo-o em atividades fora do convívio familiar. 

Segundo a Promotoria, o sacerdote utilizou sua posição de autoridade para manipular a vontade do jovem e criar um vínculo de dependência emocional, o que possibilitou a prática reiterada de atos libidinosos em ambientes privados, como a casa paroquial e a residência de familiares. 

A sentença destacou que as condutas eram praticadas de forma velada, com estratégias para evitar suspeitas e dificultar a reação da vítima. As informações são do Ministério Público de São Paulo. Da decisão, cabe recurso. 

Confira a nota da Diocese de Amparo 

A Diocese de Amparo informa, com responsabilidade pastoral e jurídica, que tomou ciência da condenação em primeira instância de um sacerdote integrante desta Diocese. Manifestamos nosso compromisso com a verdade, a justiça e a proteção integral da dignidade e dos direitos fundamentais dos envolvidos, especialmente acusador e acusado, razão pela qual foi realizada Investigação Canônica, conforme preceituam o Direito Canônico e as normas vigentes da Igreja, respeitando-se o contraditório, a ampla defesa e o sigilo processual, que apresentou conclusão diversa.

Caso pertinentes e no momento oportuno, sempre em conformidade com o Direito Canônico e as normas da moral e da ética cristã, poderão ser adotadas medidas pastorais para preservação de direitos e da comunidade. A Diocese manterá a comunidade informada de modo responsável, divulgando informações e desdobramentos relevantes quando houver justificativa pastoral e canônica.

Neste momento, pedimos orações por todos os envolvidos e reafirmamos nosso compromisso com a transparência, a ética, a justiça e o respeito à dignidade humana. 

A nota é assinada pelo bispo diocesano Dom Luiz Gonzaga Fechio. 

Publicado às 18h08

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