O trabalho desenvolvido pelo Sebrae-SP ao lado dos produtores da Associação dos Produtores de Cachaça de Alambique do Circuito das Águas Paulista (APCCAP) resultou em mais uma importante conquista para a região. No último dia 21 de julho, a Cachaça de Alambique do Circuito das Águas Paulista recebeu o registro de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência (IP), concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O reconhecimento atesta a reputação e a tradição da região na produção da bebida e amplia as oportunidades para os pequenos negócios do setor.
Ao longo dos últimos anos, o Sebrae-SP atuou diretamente
no fortalecimento da cadeia produtiva da cachaça de alambique, oferecendo
consultorias, capacitações e apoio à organização dos produtores por meio da
APCCAP. A instituição também acompanhou o processo de estruturação da Indicação
Geográfica, iniciativa que integra a estratégia do Sebrae-SP de valorizar
produtos com identidade territorial e ampliar a competitividade dos pequenos
negócios.
Para o gerente regional do Sebrae-SP em Campinas, Nilcio
Freitas, a conquista é resultado de um trabalho coletivo e de uma parceria
construída. “São anos de apoio aos produtores com consultorias, capacitações,
eventos e uma parceria sólida com a APCCAP. Essa conquista demonstra a força do
trabalho coletivo e reforça o potencial do Circuito das Águas Paulista como
referência na produção de cachaça de alambique. Ganha a região, ganham os
produtores e ganha o empreendedorismo local.”
Segundo Nilcio, a certificação representa muito mais do
que um reconhecimento da tradição regional e a IG agrega valor ao produto,
fortalece a identidade do território, amplia a competitividade dos pequenos
produtores e impulsiona o turismo de experiência, especialmente por meio da
rota dos alambiques. “A IG é uma ferramenta estratégica de desenvolvimento. Ela
protege o território, valoriza o trabalho construído ao longo das gerações e
abre novas oportunidades de mercado para os produtores. Com consumidores cada
vez mais interessados em produtos autênticos e de origem reconhecida, a IG se
transforma em um importante diferencial competitivo.”
O gerente regional destaca ainda que o apoio às
Indicações Geográficas faz parte da estratégia do Sebrae-SP para fortalecer
cadeias produtivas e promover o desenvolvimento regional. “O Sebrae-SP acredita
na força dos territórios e investe continuamente na valorização das Indicações
Geográficas. Das 16 IGs reconhecidas no Estado de São Paulo, 13 contaram com
apoio da instituição. Isso demonstra nosso compromisso com a preservação das
tradições, o fortalecimento dos pequenos negócios e a geração de
desenvolvimento econômico para as regiões.” Durante o processo de obtenção da
IG, o Sebrae-SP apoiou a elaboração do caderno de especificações técnicas, a
estruturação da governança da associação, a capacitação dos produtores e as
ações necessárias para o encaminhamento do pedido ao INPI.
A APCCAP reúne atualmente produtores de nove municípios do Circuito das Águas Paulista: Águas de Lindóia, Amparo, Holambra, Jaguariúna, Lindóia, Monte Alegre do Sul, Pedreira, Serra Negra e Socorro. Segundo a associação, a região concentra mais de 350 alambiques e produtores de destilados.
Parceria da APCCAP e o Sebrae-SP
Jorge Benedetti, presidente da APCCAP, destaca que a IG
funciona como um passaporte de credibilidade e garante ao consumidor que a
cachaça produzida na região passou por critérios rigorosos de qualidade e que
sua origem é certificada. “Esses pontos elevam o produto a outro patamar,
diferenciando-o de forma clara no mercado nacional e abrindo portas no mercado
internacional, onde a valorização de produtos com origem protegida é cada vez
mais relevante. O selo é, portanto, uma ferramenta poderosa de competitividade.”
Jorge faz questão de ressaltar os benefícios para a
região. “A IG fortalece a identidade territorial, atrai investimentos,
impulsiona o turismo rural e valoriza toda a cadeia produtiva local. O
visitante que chega ao Circuito das Águas Paulista não vem apenas comprar uma
garrafa de cachaça, ele vem vivenciar uma experiência cultural, conhecer
fazendas, alambiques, paisagens e histórias que só existem aqui. Isso movimenta
hotéis, restaurantes, comércio e serviços, gerando renda e emprego de forma
ampla e sustentável para as famílias da região.”
O presidente reconhece que uma conquista dessa magnitude
não se faz sozinho e o Sebrae-SP foi um importante parceiro nessa caminhada.
“Recebemos suporte estratégico, incentivo ao desenvolvimento dos pequenos
produtores e pela crença no potencial da nossa região.” Além do Sebrae-SP, o
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a Coordenadoria de
Assistência Técnica Integral (CATI), o Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e
a Câmara Setorial da Cachaça. “Em nome da APCCAP, o nosso mais sincero
obrigado, essa conquista também é de vocês.”
Visão dos produtores
Jorge Benedetti, além de presidente da APCCAP, é produtor
de cachaça e proprietário da Fazenda Benedetti, afirma que essa conquista
representa uma virada de chave para o negócio e para as famílias que vivem e
trabalham nessa atividade. “O selo nos dá mais poder de negociação, mais
visibilidade nas prateleiras e mais argumentos para justificar o valor do nosso
produto. Uma cachaça com Indicação Geográfica não compete mais apenas por
preço, ela compete por origem, por história e por qualidade certificada. Isso
nos permite trabalhar com um produto de maior valor agregado, o que se traduz
em melhores margens, mais reinvestimento na produção e, consequentemente, mais
qualidade de vida para todos os envolvidos”, explica.
Viviane Baldin, proprietária do Alambique Cachaças da
Torre, de Amparo, comenta que é um orgulho, para os produtores, ter conquistado
a IG. “É resultado de muito trabalho e dedicação. Se a cachaça do Circuito das
Águas já se destacava pela qualidade e capricho na produção, imagine agora com
patrimônio protegido?!”, brinca a produtora e ressalta que esse reconhecimento
valoriza o pequeno produtor ao abrir portas, padronizar a qualidade e destaca o
produto para atrair turistas interessados em conhecer a qualidade da verdadeira
bebida brasileira. “A cachaça é nossa, é brasileira e precisa ser valorizada”,
diz Viviane.
Tradição centenária
A produção de cachaça de alambique no Circuito das Águas
Paulista tem raízes profundas. Os primeiros registros documentados remontam a
1929, quando Giuseppe Benedetti produziu a primeira cachaça registrada na
região. Desde então, o conhecimento foi transmitido entre gerações,
consolidando o território como referência na produção artesanal da bebida.
Esse patrimônio histórico, aliado ao trabalho
desenvolvido pelos produtores e pelas instituições parceiras, contribuiu para o
reconhecimento da Indicação Geográfica, valorizando não apenas a qualidade da
cachaça, mas também a identidade cultural, econômica e turística do Circuito
das Águas Paulista.
O produtor destaca que a Fazenda Benedetti carrega quase 100 anos de história e diversas premiações conquistadas em concursos, nacionais e internacionais, “A IG chega como mais um capítulo importante dessa trajetória. Ela valida o que gerações da nossa família dedicaram suas vidas a construir e nos dá fôlego e motivação para continuar”, finaliza Jorge Benedetti.
Publicado às 18h29Publicado às 18h29
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